Canal de atendimento atendimento@medaula.com.br
(31) 3245-5781 (31) 9 8882-8953
Rua Grão Pará, 737 Conjunto: 1101 - 11o andar, BH
CNPJ: 07.254.304/0001-24

DOENÇA DE CHAGAS

9 de setembro, 2020

Sinônimo: tripanossomíase americana. Doença causada pelo Trypanosona cruzi que pode ser transmitida ao homem de forma vetorial, pelo Triatoma infestans (“barbeiro”), transfusional e transplacentária.

A transmissão via oral também é possível, entretanto, no homem, essa forma de transmissão ocorre de maneira esporádica e circunstancial, por meio de alimentos contaminados com o parasita, principalmente a partir de triatomíneos ou de suas dejeções (remete indiretamente aos vetores). No Brasil, a maior parte dos casos de doença de Chagas aguda por transmissão oral, foi relatada na Amazônia em surtos de contextos familiares.

Mecanismos menos comuns envolvem acidentes de laboratório, manejo de animais infectados, transplantes de órgãos sólidos e leite materno. O vetor, ao picar sua vítima, elimina suas fezes contendo protozoários que penetram na pele através de solução de continuidade da picada.

As áreas rurais são as mais afetadas, mas, nos últimos anos, verificou-se a existência de transmissão através de sangue contaminado.

Quadro clínico da doença de Chagas

Fase aguda por trasmissão vetorial A fase aguda é mais comum em crianças e jovens e dura por volta de quatro a oito semanas.

O período de incubação pode variar de 4 a 15 dias. O quadro clínico da doença aguda nos casos de transmissão vetorial é polimórfico, podendo ocorrer ou não, um sinal de porta de entrada da infecção. A infecção tem como porta de entrada, em 50% dos casos, a conjuntiva ocular (sinal de Romaña), e, em 25%, a pele (chagoma), mas não é reconhecida nos 25% restantes.

– SINAL DE ROMAÑA: edema elástico das pálpebras em um dos olhos, indolor, com reação de linfonodo satélite (principalmente pré-auricular); frequentemente o edema se propaga à hemiface correspondente;

– CHAGOMA DE INOCULAÇÃO: formação cutânea pouco saliente, endurecida, avermelhada, pouco dolorosa e circundada por edema elástico; acompanhado também de reação de linfonodo satélite e, às vezes, se exulcera; localiza-se em qualquer região do corpo, principalmente nas partes descobertas; Juntamente com os sinais de porta de entrada, aparecem sintomas gerais, como febre, mal-estar, cefaleia, astenia e hiporexia; linfonodomegalia, hepatomegalia, esplenomegalia, além de evidências de miocardite e de meningoencefalite já foram descritos. Situações oligossintomáticas e inaparentes também podem ocorrer.

– MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS: raras no Brasil e relativamente frequentes na Argentina; são exantemas (morbiliforme, urticariforme e macular), denominados esquizotripanides e chagomas hematógenos (formações geralmente planas), que acometem pele e tecido celular subcutâneo sem alterar-lhes a cor, não aderentes a planos profundos, comumente indolores, de tamanho variável ao de uma moeda a grandes placas e mais palpáveis que visíveis;

Fase aguda por transmissão transfusional
– A síndrome clínica é praticamente idêntica ao verificado na transmissão por triatomíneos, EXCETO PELA NÃO EXISTÊNCIA de chagoma de inoculação.

Fase aguda por transmissão oral
– Características clínicas peculiares em relação à transmitida por via vetorial, e, por vezes, com diferenças conforme a região;

– Sinais sugestivos de porta de entrada, próprios da doença por transmissão vetorial têm sido raramente descritos na transmissão por via oral;

– Período de incubação varia de 3 a 22 dias;

– Exantema macular, não pruriginoso e não doloroso: sinal importante nessa forma de transmissão (decorrente de parasitemias abundantes, que são mais frequentes que na transmissão vetorial); relativa fugacidade e, na maioria das vezes, passa despercebido pelo próprio paciente;

– Eritema nodoso: também mais frequentemente observado na transmissão oral; casos descritos invariavelmente nos membros inferiores em pessoas do sexo feminino.

Reativação da doença de Chagas crônica

Em casos previamente infectados, a reativação da doença de Chagas crônica é definida pela positividade dos seguintes exames, independentemente de presença de outros sinais e sintomas:

– Presença do parasito por exame microscópico direto no sangue ou secreções biológicas: líquor, pleura, pericárdio, líquido ascítico, entre outros;

– Exame histopatológico de lesões teciduais (paniculite, miocardite, encefalite, enterite, colpite, entre outras), com encontro de ninhos do parasito em meio ao infiltrado inflamatório agudo.

A reativação da doença de Chagas foi descrita, inicialmente, em pacientes imunodeprimidos por neoplasias hematológicas, no final da década de 1980, e a partir de 1990, começaram a ser relatados casos de reativação em pessoas infectadas por HIV (maior morbimortalidade do que em algumas outras situações de imunossupressão).

Clinicamente, as manifestações mais comuns de reativação são febre, paniculite (nódulos subcutâneos), miocardite, meningoencefalite, acidente vascular cerebral e sintomas como anorexia, mialgia, mal-estar ou diarreia.

Diagnóstico e tratamento da doença de Chagas

FASE AGUDA: visualização das tripomastigotas no sangue e formas amastigotas nos tecidos. O anatomopatológico mostra infiltrado de macrófagos na derme profunda e hipoderme, com presença de formas amastigotas no interior dos macrófagos. Os testes sorológicos são positivos para IgM anti-T. Cruzi. O tratamento é realizado com tripanomicidas como o benzonidazol 6 mg/kg, por 30 a 60 dias, ou nifurtimax 8 mg/kg, por 60 a 90 dias. Efeitos colaterais mais comuns são irritação gástrica, anorexia, perda de peso, tonturas.

Na fase crônica, o diagnóstico é feito pelo método do xenodiagnóstico (método indireto), e exames sorológicos como imunofluorescência indireta, hemaglutinação indireta, ELISA e também por hemocultura.

Quer ficar por dentro de todo os nossos conteúdos?

Enviar um Whatsapp
1
Quer falar com uma consultora?
Olá, como podemos te ajudar?
Powered by